Visão cristã


Introdução a Ratzinger: A pretensão de verdade da Igreja

 

“Pretender que as afirmações concretas de uma religião sejam verdadeiras, hoje parece não somente presunção arrogante, mas também falta de visão. O espírito do nosso tempo foi expresso por Hans Kelsen, quando propôs a pergunta de Pilatos ‘Que é a verdade?’ como a única atitude adequada, levando em conta os problemas morais e religiosos da humanidade, na busca de configurar uma comunidade civil. A verdade é substituída pela decisão da maioria – assim ele afirma -, precisamente porque, na sua opinião, não pode existir a verdade como entidade acessível e obrigatória para todos os homens. Assim, a multiplicidade das culturas torna-se prova da relatividade de cada uma delas. A cultura é contraposta à verdade! (observação minha: Viva as culturas; abaixo a verdade! Abaixo a pretensão do cristianismo de ser a religião verdadeira! Abaixo a Igreja católica, que se julga a única Igreja de Cristo!) Este relativismo, que hoje, como sentimento básico da pessoa ‘iluminada’, invade também amplamente a teologia, é o maior problema da nossa época. Este é também o motivo pelo qual a verdade hoje é determinada pela ação e o âmago da religião foi mudado (observação minha: É verdadeiro o que serve à minha ação, à minha luta ou aos meus objetivos. Como diz o pessoal da gloriosa Teologia da Libertação: não mais importa a ortodoxia, mas sim a ortopráxis. Pouco importa se alguém crê realmente segundo a fé da Igreja ou vive segundo a moral cristã. O que importa é a luta pela transformação social...). Nós não conhecemos o que é verdadeiro, mas sabemos o que devemos fazer: instaurar uma sociedade melhor, o ‘Reino’, como se diz tanto, usando uma palavra tirada da Bíblia e utilizada num sentido utópico profano”.

 

            A Igreja, contudo, terá sempre o dever de perguntar e de pronunciar-se sobre o que é verdadeiro, não sobre o que convém ou o que é cômodo: “Se todos os seus esforços fossem empregados em evitar conflitos, de modo a evitar o surgimento de contestações e turbulências, então fracassaria a sua autêntica missão. Porque a mensagem que está na sua raiz visa exatamente a nos colocar em discussão, arrancando-nos da mentira e instaurando clareza e verdade. A verdade não é algo a preço de banana”. (Do livro Introduzione a Ratzinger, de Dag Tessore).



Escrito por Pe. Henrique às 00h27
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Que é pior: o fundamentalismo islâmico ou o indiferentismo ocidental?

Vejam só, o mundo muçulmano pegando fogo pelas charges que um jornaleco dinamarquês publicou de Maomé. O jornaleco é pagão, a Dinamarca é de tradição protestante secularizada, e o mundo muçulmano acha que o Ocidente todo é cristão e o chefe de todos os cristãos é o Papa. Sobrou para Bento XVI. Um jornal muçulmano o representou com a cabeça de porco – a maior ofensa para um árabe. Que o Santo Padre tenha cuidado, pois pode sofrer um atentado!

 

 

Mas, a questão é outra, muito mais grave. Vejamos um pouco:

 

(1) Há cerca de duas semanas, um programa humorístico espanhol apresentou alguém jogando um crucifixo numa panela fervendo, num tom de claro deboche.  Ninguém protestou; ficou por isso mesmo. Lembram da Última Tentação de Cristo e de Je vous salue Marie? Dois filmes blasfemos, ofensivos aos cristãos... Ficou por isso mesmo. Lembram do Código da Vinci, aquela mediocridade literária transformada em sucesso absoluto? Ficou por isso mesmo! O Cardeal de Florença, Tarcísio Bertone, organizou um estudo sobre o livro e foi criticado como intolerante... Respondam rapindinho: O que é pior? O que é mais vergonhoso? O que é mais aberrante: O fanatismo fundamentalista dos muçulmanos ou a total indiferença atéia ou agnóstica do Ocidente pós-cristão? O que é pior: Os governos dos países muçulmanos, que usam a religião para alimentar o fanatismo ou os governos do Ocidente democrático e laicista, que usam a liberdade de consciência e de imprensa para combater qualquer expressão religiosa, incentivando, ao invés, o paganismo e o indiferentismo? Perguntas difíceis de responder, não é?

 

 

(2) Recentemente – coloquei isso no blog – o Parlamento Europeu decretou que é crime contra os diretos humanos não permitir o casamento gay. Mas não é crime o aborto, não é crime difamar e desrespeitar a religião dos outros. Defendem-se os que desrespeitam seja o islamismo seja o cristianismo, mas, na Suécia, condenou-se um pastor protestante à prisão e à multa porque ele disse que a Escritura não aprova a homossexualidade. Na Inglaterra, um professor foi censurado porque disse às crianças que Papai Noel não existe... Que pensar de uma sociedade como a nossa, ocidental: uma sociedade que renega seus valores, que inverte a ordem das coisas, que mata toda a tradição religiosa cristã que a plasmou? Poderá uma sociedade sobreviver quando renega sua matriz cultural? Poderão seus valores sobreviver, quando corta o contato com a fonte que os inspirou e os gerou? Perguntas inquietantes...

 

 

(3) Vamos lá, caro visitante! Responda ligeirinho: por que foi a sociedade ocidental, e não outra qualquer, que desenvolveu a tecnologia a ponto de dominar a natureza? Por que foi a sociedade ocidental que se impôs culturalmente (para o bem e para o mal) ao mundo todo? Por que foi a sociedade ocidental que desenvolveu o conceito de direitos humanos e de pessoa? Reposta: porque o Ocidente foi plasmado pelo cristianismo, foi gerado culturalmente pela Igreja. Foi da Igreja católica que o Ocidente aprendeu que a história não é um eterno retorno, mas tende a um futuro aberto, e o homem deve arregaçar as mangas e construir seu próprio destino em parceria com Deus; foi da Igreja que o homem ocidental aprendeu o conceito de pessoa. Esse conceito não existia entre os pagãos! Nas sociedades clássicas, hoje tão endeusadas, o homem, se não pertencesse à classe dominante, era apenas uma coisa. Foi do judeu-cristianismo que o Ocidente aprendeu as idéias de liberdade, igualdade e fraternidade. Agora, tudo isso é louvado, mas de modo desligado de sua fonte: a consciência de que o homem é aberto à Transcendência, um ser criado por Deus e para Deus em Cristo Jesus. Ora, com a perda dessa consciência, esses valores, cedo ou tarde, perecerão!

 

(4) Assim, o Ocidente caminha para a ruína! Ou o Ocidente volta a Cristo ou se perderá. Por um lado, destruído pelos muçulmanos (a Europa está envelhecendo, pois, por puro egoísmo, ninguém mais quer ter filhos e os muçulmanos estão se multiplicando) e, por outro, destruído por dentro: quando já não mais há valores, quando o relativismo e o egoísmo prevalecem, cria-se o caldo propício às tiranias, às ditaduras e aos sistemas desumanos... Quem viver, verá.

 

Qual o papel da Igreja nesse contexto? Ser luz; ser sal! Precisamos de uma Igreja que não tenha medo de viver profundamente sua identidade, uma Igreja que não tema professar integralmente sua fé, com todas as suas exigências, uma Igreja que tenha a coragem de, por Cristo, ir contra a corrente. Por outro lado, uma Igreja que saiba dialogar com o mundo. Dialogar não é ceder; dialogar é amar, é levar o outro a sério, mas consciente da própria identidade e da própria verdade. Só assim á Igreja será crível. Amor – eis o verdadeiro nome do diálogo. Verdade – eis o verdadeiro nome do respeito pelo outro! Pense nisso, caro internauta, e comece a praticar no meio onde você vive!



Escrito por Pe. Henrique às 13h07
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Introdução a Ratzinger: A Igreja não é uma organização social

 

Para o Cardeal Ratzinger, considerar a Igreja como uma organização social “é um curto-circuito. Obviamente, o empenho em favor da paz, da justiça e do respeito pela criação é de máxima importância, e a religião deveria, sem dúvida, oferecer um estímulo fundamental em tal direção. Mas, as religiões não possuem um conhecimento a priori daquilo que, aqui e agora, é útil à paz, de como seja possível construir a justiça social nos países e entre os países, de como se possa tutelar de modo melhor a criação, dela cuidando responsavelmente segundo a intenção do Criador. Tudo isso deve ser repensando responsavelmente em cada época. Além do mais, é necessário levar em conta o livre confronto entre opiniões diferentes e o respeito pelos diversas soluções. Onde este pluralismo de soluções, freqüentemente não superável, e o cansativo confronto racional são fundamentados num moralismo com motivações religiosas e um só caminho é declarado correto, a religião transforma-se em ditadura ideológica, cujo furor totalitário não constrói a paz, mas a destrói. A religião não pode ser subordinada a uma finalidade prático-política, que depois se torna o seu ídolo” (observação minha: Pense-se aqui no quanto o cristianismo e a fé católica foram usados no Brasil por uma ideologia de esquerda que tanto dano causou à Igreja e ajudou a levar ao poder o atual Governo brasileiro, que não tem nenhum compromisso efetivo com o Evangelho. Esta mesma visão do Cardeal Ratzinger é repetida pelo Papa Bento XVI na sua Encíclica, quando fala da caridade: caridade como resposta à caridade de Deus em Cristo e não por uma ideologia ou ilusão de um projeto que criará um paraíso socialista na terra).

 

Por ocasião dos funerais do Pe. Giussani, Ratzinger recordou que, em 1968 e nos anos seguintes, “um primeiro grupo dos seus discípulos foi para o Brasil e aí se encontrou com a pobreza extrema, com a miséria. Que fazer? Como responder a tal situação? E foi grande a tentação de dizer: agora devemos, por enquanto, prescindir de Cristo, prescindir de Deus, porque há urgências maiores; devemos antes começar a mudar as estruturas, as coisas externas, devemos primeiro melhorar a terra, depois poderemos encontrar também o céu. Era a grande tentação daquele momento: transformar o cristianismo em um moralismo, o moralismo em uma política, substituir o crer pelo fazer” (Do livro Introduzione a Ratzinger, de Dag Tessore).



Escrito por Pe. Henrique às 22h43
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Viva a gnose pagã

 Os grandes e puros heróis gnósticos da novela espírita da Globo. E Cristo? Que se dane!

 

Quem viu hoje um pedacinho daquele folhetim de divulgação espírita da Globo, a tal de “Alma Gêmea”? Viram o “casamento” do Rafael e da Serena? Casaram diante da deusa Natureza... como os pagãos gnósticos dos primeiros séculos do cristianismo ou os pagãos celtas europeus pré-cristãos.

 

É exatamente isso: a volta à deusa Natureza, a mentira de que tudo é puro e bonzinho, o naturismo proposto como caminho para a humanidade. Aí, cada um é seu deus, é seu critério, é sua verdade. Pra que religião? Pra que essa coisa de verdade, de doutrina, de dogmas morais? Não é tudo tabu que tira a liberdade humana?

 

E Jesus? Ah, Jesus é bonzinho, desde que não exija nada, que não fale em conversão, em mudança de vida, em mandamentos, em cruz! Tem mais: Jesus, Buda, Allan Kardec, Maomé, Iemanjá, é tudo a mesma coisa, é tudo cultural, legal... Viva Caetano, viva Betânia, viva Gil... Vivam a mentira e a ilusão com as quais a cultura dominante atual quer empanturrar o povo brasileiro. E está conseguindo maravilhosamente.



Escrito por Pe. Henrique às 20h34
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Sedento do Absoluto, apaixonado por Deus!

Eis alguns textos belíssimos do Pe. Charles de Foucauld, o soldado francês devasso e ateu que se fez monge trapista, eremita em Nazaré e morreu no deserto do Saara. Ele foi beatificado pelo Papa Bento XVI em 3 de novembro passado.

 

 

“Tão logo acreditei que havia um Deus, compreendi que não poderia ter outra atitude que não fosse a de viver somente para Ele. Minha vocação religiosa data do mesmo instante da minha fé. Deus é tão grande! Há uma grande diferença entre Deus e tudo o que não é Ele!”

 

“Que nosso único tesouro seja Deus, que nosso coração pertença completamente a Deus, tudo em Deus, tudo por Deus! Somente Ele! Sejamos vazios de tudo, tudo quanto foi criado, desapegados mesmo dos bens espirituais, mesmo das graças de Deus, vazios de tudo para poder sermos inteiramente repletos de Deus. Ele tem direito a tudo, a todo nosso coração: nós lhe reservamos tudo, tudo inteiramente só para Ele”.

 

“Os olhos mais doces que jamais vi, os sorrisos que mais me consolaram, os seres que mais me encantaram, tudo isso nada mais é que um pouco de tua beleza! Que me faças ver para que, vendo-a, diga a mim mesmo: isso vem de Deus! Meu Deus, como és bom por ter me mostrado tua beleza nas criaturas! Dá-me a graça de ver a ti, só a ti nas criaturas! Que eu sempre rasgue os véus!”



Escrito por Pe. Henrique às 23h24
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Introdução a Ratzinger: A Igreja é divina

 

“Muitos, explica o Cardeal, “não crêem mais que a Igreja se trate de uma realidade desejada pelo próprio Senhor. Também para alguns teólogos, a Igreja aparece como uma construção meramente humana, um instrumento criado por nós e que, portanto, nós mesmos podemos reorganizá-la livremente, segundo as exigências do momento”. Por esse motivo, acontece também que “muitos deixam de crer, porque lhes parece que a fé possa ser definida por alguma instância burocrática, isto é, que seja uma espécie de programa de partido: quem tiver o poder, poderá definir o que é necessário acreditar e, portanto, tudo dependeria do fato de alcançar o poder na própria Igreja ou - coisa mais lógica e plausível – de não crer de fato”.

 

Mas, na realidade, segundo a fé católica, “por trás da fachada humana da Igreja está o mistério de uma realidade sobre-humana a respeito da qual o reformador, o sociólogo, o organizador não têm autoridade para intervir”. O que acontece hoje, ao invés, é que freqüentemente “o Evangelho torna-se o projeto-Jesus, o projeto-libertação social ou outros projetos, somente históricos, imanentes, que podem parecer também religiosos na aparência, mas são substancialmente ateus” (Do livro Introduzione a Ratzinger, de Dag Tessore).



Escrito por Pe. Henrique às 20h36
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]


[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]


 
Histórico
Categorias
  Todas as Categorias
  Análises
  Fatos
  Meditações
  Teologia
Outros sites
  Meu site
  Vaticano
  Zenit
  Revista 30 Dias
  Padre Paulo Ricardo
  Enciclopédia Católica
  Biblioteca católica
  Editora Quadrante - ótimos textos
  ACIDigital-Notícias
  Biblioteca cristã
  Presbíteros
  Catecismo de A a Z
  Aleteia